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Sérgio Duh

Antes da marca, o mundo

Antes de construir marcas, eu já construía mundos.

Quando eu era criança, uma mesa de RPG era espaço suficiente para caber uma cidade inteira. Cabiam personagens, conflitos, escolhas e consequências. Eu mestrava aventuras e descobria, sem dar esse nome, que contar uma história exige entender quem está do outro lado. Você prepara o mundo. As pessoas entram nele. E, a partir daí, precisa prestar atenção no que elas fazem com aquilo.

Essa continua sendo uma boa descrição do meu trabalho.

Sou Sérgio Duh. SD vem daí. Mas, por uma fatalidade bastante conveniente do destino, também é Studio Design. As mesmas duas letras acomodam a pessoa e o lugar onde as ideias são construídas. Minha assinatura pessoal está presente desde 2011; a história que ela carrega começou muito antes.

Também sou filho de marceneiro. E isso explica bastante coisa. Quem cresce perto de alguém que transforma matéria em objeto aprende a respeitar proporção, estrutura, encaixe e acabamento. Aprende que beleza tem relação com uso. Uma peça precisa sustentar o que promete. Precisa funcionar depois de sair da bancada.

Levei essa lógica para o design. Gosto da estética que tem construção por dentro. Da escolha de uma letra à organização de um site, quero entender o que segura aquilo, como as partes se relacionam e o que acontece quando alguém usa. A imagem precisa resistir à vida fora da apresentação.

Artes, desenho, música, escrita, publicidade e tecnologia foram se encontrando nesse caminho. Minha curiosidade sempre atravessou as divisórias entre as profissões. Em um projeto, penso a narrativa; em outro, desenho, escrevo, dirijo ou entro na construção digital. O trabalho pede repertório, e eu gosto de ter onde buscar.

É também desse encontro entre pensamento e execução que vem outra combinação importante: Strategy + Design = Stratesign, a agência de mercado imobiliário da qual sou sócio. A SD é minha assinatura autoral. A Stratesign tem sua própria atuação, equipe e história. As duas se encontram no meu percurso, com os créditos de cada trabalho preservados.

O repertório ganha rua

São quase 30 anos de atuação e mais de 1.500 projetos entregues ao longo da trajetória, em diferentes estruturas e com diferentes equipes. Projetos no Brasil, nos Estados Unidos, na França, na Austrália e em outros mercados da América Latina. Com base em Campinas, meu trabalho atravessa o interior paulista, capitais, culturas e formas muito diferentes de fazer negócio. No acervo nacional, aparecem praças como Vinhedo, em São Paulo; Goiana, em Pernambuco; Manaus, no Amazonas; e a Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte.

Varejo, indústria, comunicação, cultura, entretenimento, educação, seguros, tecnologia e mercado imobiliário fazem parte desse repertório. Nomes como Xerox, Hot Point, Estadão, MTV Brasil, Enactus, Agrana Internacional e Prefeitura de São Paulo aparecem nessa história. O varejo tem capítulos com Coopercica e Boa Supermercados. O acervo da Nova Horda inclui trabalhos para a BASF na América Latina, a Loop Dee Science na França e a Ngala na Austrália, além de Bolo da Madre e Casa do Confeiteiro no Brasil. Essa história continua sendo referência para o que faço hoje.

Já desenvolvi site para show do Green Day. Sim, Green Day. A mesma curiosidade que me levou a experimentar a internet também me colocou em projetos de eventos, lançamentos, convenções e experiências presenciais. A comunicação muda de tamanho quando sai da tela e precisa funcionar no espaço, no tempo de um palco, na atenção de uma plateia. Digitalks, Fastbuilt e a construção da marca SIMM Brasil também fazem parte desse caminho.

O mercado imobiliário ganhou um lugar central porque reúne assuntos que sempre me interessaram: comportamento, território, desejo, memória e futuro. Uma casa está no centro de muitas histórias que as pessoas contam sobre si. Trabalhar com o morar exige perceber isso e transformar as características reais de um produto em uma experiência que possa ser compreendida, desejada e vivida.

Há projetos que acompanham uma pessoa em várias formas de expressão. Com Marcus Araujo, o trabalho alcança identidade pessoal, produtos, empresas, mentorias e livros. Em FARO IMOBILIÁRIO, envolve identidade, narrativa e produtos ligados a Rodrigo Faro. Minha atuação também passa por Biosphere By C. Reymond, ligado a Cauã Reymond, e por trabalhos ligados a Augusto Cury, no campo editorial e no produto imobiliário Contemplare. Cada projeto carrega seu escopo e suas parcerias.

Adriana Vargas, André Battu, com BROTHERS AND BROKERS, e Wesley de Oliveira entram nessa conversa pelo trabalho de identidade pessoal e narrativa. VF Empreendimentos e My Life Atibaia compõem a atuação com empresas. Cerne, FRDC e os projetos Oasis e Sky, da SEBEL, fazem parte do portfólio. THS e TAMO SEGUROS têm um envolvimento mais interno, próximo da construção do próprio negócio.

Também escrevo sobre o que observo. Em artigos como “Hollywood é Real Estate”, “Estamos vivendo num estado de branding?” e “Prompts porretas e as novelas”, cinema, comportamento e tecnologia entram na mesma conversa. No livro “Todo mundo está fazendo branding”, essa reflexão ganha outro espaço. Gosto de encontrar relações onde, à primeira vista, parece não haver nenhuma. Depois vem o trabalho de tornar essa relação útil.

No meio de tudo isso existem equipes, sócios, clientes e parceiros. Existe trabalho compartilhado. Minha história tem autoria, mas tem muita gente dentro dela. O menino que inventava mundos continua aqui. Hoje, esses mundos precisam ganhar forma, conversar com pessoas reais e sustentar negócios reais.

A ordem muda o resultado

A história determina a marca. A marca determina a tecnologia.

NARRATIVA > BRANDING > TECNOLOGIA.

O sinal é de maior mesmo. Existe uma hierarquia aqui. A narrativa é o campo mais amplo: organiza o sentido, o ponto de vista e a relação que queremos construir. O branding transforma esse entendimento em escolhas consistentes de marca. A tecnologia trabalha dentro dessas escolhas, dando meios para que elas aconteçam, alcancem pessoas e continuem funcionando.

Quando começo um trabalho, preciso entender o que aquela pessoa ou empresa tem para dizer. O que viveu. O que sabe fazer. O que entrega. Que lugar pode ocupar com legitimidade. E por que alguém se importaria. Essas perguntas mudam o nome, o discurso, a estética, o produto e o jeito de chegar ao público.

A narrativa dá direção. O branding exige coerência entre o que se diz e o que se faz. O design torna essa coerência perceptível. Uma identidade visual, uma apresentação, um ambiente, um filme e uma interface precisam reconhecer a história da qual fazem parte.

É por isso que, para mim, não há a menor possibilidade de pensar tecnologia sem antes entender marca e história. Posso testar uma ferramenta por curiosidade. Para colocá-la a serviço de um negócio, preciso de intenção. Um site começa no que precisa comunicar e permitir. Uma automação começa no processo que precisa melhorar. Uma inteligência artificial precisa receber direção e ter seu resultado avaliado.

Gosto de tecnologia. Entro, experimento, desmonto, combino, procuro outra possibilidade. Essa disposição me acompanha desde as primeiras experiências com a internet. Justamente por isso, não terceirizo para uma ferramenta a decisão sobre o que uma marca deve ser. Velocidade amplia o alcance das escolhas que fizemos. Convém escolher bem.

Também gosto de beleza. De tipografia bem escolhida, de uma imagem que segura o olhar, de ritmo, contraste e silêncio. A marcenaria me ensinou a levar a forma a sério. No meu trabalho, estética participa da solução: ajuda a compreender, desperta interesse, distingue e torna a experiência melhor.

A SD existe para juntar essas responsabilidades. Pensar com liberdade, fazer perguntas incômodas, construir uma linguagem própria e cuidar da execução. Às vezes isso começa numa conversa comprida. Às vezes começa num desenho. Em qualquer caso, precisa terminar em algo que funcione.

Ter mais meios pede mais direção

Quanto mais a tecnologia pode fazer, mais importa saber o que vale a pena construir.

Quero usar o que vem pela frente para ampliar a capacidade de criar. Quero equipes com mais tempo para observar, conversar, experimentar e resolver. Quero que a tecnologia absorva parte do trabalho repetitivo e permita cuidar melhor das decisões que pedem repertório, contexto e sensibilidade.

Isso orienta o desenvolvimento da própria SD. A plataforma, os fluxos de trabalho, os sistemas de conteúdo e as experiências com inteligência artificial fazem parte dessa construção. É um trabalho que nasce de necessidades vividas na operação: organizar informação, preservar contexto, acompanhar entregas e fazer a ideia chegar inteira até a execução.

Minha visão de marca também passa por continuidade. Uma boa história precisa conseguir existir na identidade, no produto, na conversa comercial e na experiência depois da compra. Precisa amadurecer sem perder o que a torna reconhecível. Por isso me interessa acompanhar negócios, aproximar pensamento e produção e construir relações de trabalho que tenham sequência.

Quero que este espaço mostre esse movimento. Os artigos guardam o pensamento desenvolvido. O Log book registra trabalhos, decisões, encontros e histórias recuperadas do portfólio. As redes abrem a conversa e levam a quem quiser se aprofundar. Um áudio meu comentando um texto pode acrescentar uma camada que a escrita sozinha não alcança. Cada formato tem uma função nessa mesma história.

Também quero manter espaço para o estranho, para uma associação improvável, para o assunto que ainda não encontrou seu lugar. Boa parte do meu repertório nasceu assim. A disciplina entra para dar consequência à descoberta, transformar uma intuição em proposta e uma proposta em trabalho que alguém possa usar.

Depois de tantos projetos, continuo interessado naquele instante em que uma ideia começa a fazer sentido. Quando a história encontra sua forma. Quando uma marca reconhece a própria voz. Quando a tecnologia finalmente tem uma tarefa clara a cumprir.

É desse ponto que a SD continua. Com história para contar, marca para construir e ferramentas para colocar tudo em movimento.

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